Línguas Fluentes: modalidade e estrutura da informação no Alto Rio Negro
Coordenação: Dr. Uli Reich (FU-Berlim/Alemanhã) / Dra. Aline da Cruz (Pesquisadora)
Período: 06/01/2025 a 29/12/2028
Agência de fomento: DFG
Breve resumo: O projeto "Línguas fluentes: modalidade e estrutura da informação no Alto Rio Negro", coordenado pelo Prof. Uli Reich da FU-Berlin, visa contribuir para a compreensão do multilinguismo no leste do Alto Rio Negro, particularmente na região da cidade de São Gabriel do Rio Negro-AM, e no Rio Içana. Como se sabe a partir dos estudos de Aikhenvald, Kris Stenzel, Thiago Chacon, Wilson Silva, Pattie Epps, a região do Alto Rio Negro tem sido muito estudada em relação à sua face oeste, rios Waupés e Tikié - onde vivem majoritariamente povos Tukano, Nadahup, Yanomami e Arawak -, mas há menos estudos sobre a face leste, dos rios Xié, Içana e Negro - onde vivem os povos Baré, Baniwa e Werekena, originalmente falantes de línguas Arawak, mas que, em grande medida, passaram por processo de substituição linguística, das línguas Arawak para o Nheengatu, a variedade moderna da língua geral amazônica oriunda do Tupinambá. Nessa região, há alguns estudos sobre o Baniwa (Taylor, Artur Walipiere Baniwa, entre outros), e sobre o Nheengatu (Cruz 2011, 2014a, 2014b, 2015, 2016, Cruz & Santos 2021; Cruz, Da Silva & Lima 2021; Cândido, Cruz & Oliveira 2021), juntamente com vários artigos sobre características gramaticais específicas (Borges 1991, 1996, 2004; Moore, Facundes & Pires 1994; Moore 2014; Taylor 1985, 2010; Reich 2003; Alencar 2021, Finbow 2020). Este projeto pretende (a) investigar melhor a estrutura da informação e modalidade do Nheengatu, em contato com Português e com Baniwa; (b) compreender o multilinguismo da região (atentado para a distinção entre o leste e o oeste do Alto Rio Negro, uma vez que a literatura raramente trata dessa diferença); (c) contribuir para a autonomia cultural e linguística dascomunidades indígenas do Alto Rio Negro e do Içana, por meio de treinamento de equipe de pesquisadores indígenas e da colaboração com a Escola Viva.